“Cazuza estava certo. O tempo não para. O tempo arrasta. O tempo devora. O tempo sufoca. O tempo agride. Mas o tempo também aumenta a saudade. O tempo não espera. O tempo tem pressa. O tempo transforma. O tempo melhora. Ou piora também. O tempo ensina. O tempo é impaciente. O tempo corre por si só. O tempo não planeja ninguém. O tempo amadurece. O tempo cresce. O tempo dói… mas cura também. O tempo supera. O tempo esquece. O tempo vai… mas não volta. O tempo não fica. O tempo sempre está de passagem. O tempo é ciência. O tempo é mistério. O tempo pode ser divertido, mas também pode ser tédio. O tempo é eterno. O tempo é indecifrável. O tempo é virtude. O tempo é maldade. O tempo passa. A vida acontece. Mas a gente… a gente permanece.”
Tuesday, March 3
Saturday, February 7
“Estar sozinha é engraçado, louco, angustiante,
libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar
sozinha é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinha é
fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem
uma mão para segurar. É acordar sem saber o que será do dia porque
planejar sozinha dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo
para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem. É ficar
louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinha. É querer
contar tanta coisa para alguém, mas para quem? A vida simplesmente
acontece para quem está sozinha, às vezes sem que a gente perceba, pois é
mais fácil ter noção de si mesma através de outra pessoa. Estar sozinha
é fazer dengo sozinha na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o
ombro um pouco mais perto. É comer doce demais porque sua boca precisa
de um incentivo para continuar salivando vida. É comer doce demais
porque estar sozinha dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o
doce que substitui mal e amargamente o sexo. Estar sozinha é dormir até
tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer
de conta que o tempo não existe. É conviver com a ansiedade de que você
pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar
bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de
estar solta e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha,
pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar
solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz
flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode
acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua
melhor amiga ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como
uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a
palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais.
Estar sozinha é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um
choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível
ficar sozinha sem ficar deprimida. Estar sozinha é usar roupas
provocantes sem se sentir sexy com elas. É conferir a caixa de e-mails
com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do
nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago. Estar sozinha é
uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. Você se sente oca por
dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação. É cogitar
enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinha. E porque não tem
ninguém pra te fazer massagem também. Quando chove, venta, escurece e
você está sozinha, você lembra de Deus e do quanto é pequeno. Estar
sozinha é se aproximar de Deus por piedade própria e não por
agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando.
Estar sozinha é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinha, quando
se está sozinha, é muita solidão. Então você sai, só para não ficar em
casa sozinha. E descobre o quanto você é sozinha. E volta pra casa
sozinha e chora vendo fotos. Estar sozinha é implorar paixão e loucura
com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele
não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só conseguir
escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração. É
procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louca. É estar
pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais. É ocupar a vida
de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas. É ocupar a
vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências.
Resumindo: estar sozinha é triste, enche o saco dos outros e deve fazer
mal para a saúde.”
Tati Bernardi.
“Só que aí eu acabei mudando. E foi mudança aos
poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão
mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade
de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir
tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me
aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina
parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo
de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa
pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu
tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando
lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não
consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu
fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios
erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e
implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que
você queira muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você
deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só
quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é
pra ninguém ter porque se lamentar.”
Tati Bernardi
Sunday, October 19
E depois de um tempo eu entendi que esquecer não significava ignorar uma chamada no telefone,
nem evitar reencontros casuais. Eu descobri que quando você esquece,
atende o telefone e sua voz não falha, que reencontros casuais não mais
faziam as pernas tremerem. Eu descobri que o lado mais triste do amor, é não sentir mais nada.
(...)
Eu sou o oposto de garota que você pensa, quando sugere ao cérebro alguém pra amar a vida inteira. O fato é, eu não sou exatamente o tipo de pessoa pra se ter em casa, um coração ambulante e desajeitado, que estraga tudo sorrateiramente, desde o primeiro sussurro até o controle da tv. Não é paranoia quando eu cuido de você e esqueço que talvez o resto do mundo queira cuidar também e fico cheirando a infantilidade e ciúme de fim de romance. É essa mania minha de achar que eu posso controlar tudo, que fode esse sentimento todo. Aposto uma vírgula no meu próximo texto, que talvez você nem perceba o quanto de orgulho eu engulo todo dia, só pra ver você rindo. Essa coisa ai, que você traz na boca, esse sorriso desengonçado que compacta meu coração em pasta zip e me faz perder toda a noção de tempo, espaço e desespero. Dai, dentre todas as coisas plausíveis a se fazer, correr me parece um absurdo quando é você que me pede pra parar.
Thursday, September 25
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